Sergipe bate recorde nacional de produtividade de arroz

Foto: Luiz Carlos Lopes Moreira/Seagri

Pelo segundo ano consecutivo o povoado Betume, localizado no Município de Ilha das Flores, no estado de Sergipe, foi o campeão de produtividade na cultura do arroz. Na safra 2011/2012 o resultado foi uma produtividade de 8.500 quilos por hectare, e na safra 2012/2013, ocorreu ampliação na produtividade, atingindo 9.700 quilos por hectare. O fato se projeta com ênfase e comemoração porque a produtividade há seis anos era em torno de cinco mil quilos por hectare na região, além disso, deve-se levar em conta o povoado estar situado na região do Baixo São Francisco, e o cultivo ser feito por pequenos produtores incluídos na agricultura familiar numa região tida como de extrema pobreza.
Some-se a isso o esforço, assistência e acompanhamento do governo do Estado, como também pelas gestões levadas a efeito para materializar uma comercialização muito superior à que vinha sendo praticada na região, por diversas décadas, cujos valores, segundo dados dos produtores, das associações locais, de autoridades do município, não permitiam cobrir os custos de produção.

Depoimentos

Para o produtor José Joaquim Santos, os produtores do Betum estão comemorando o momento de euforia em razão do segundo ano consecutivo como campeões de produtividade do arroz, permitindo que Sergipe se destaque a nível nacional, mesmo com o seu pequeno território, além do que, o fato acontecer em um pequeno povoado do município de Ilha das Flores, localizado na região do Baixo São Francisco. Ele enfatizou que os problemas são constantes na produção do arroz, acrescentando que o governo de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural (Seagri), tem dedicado uma atenção especial à região, garantindo não apenas a doação de sementes de excelente qualidade, mas interferindo também no combate à especulação no momento da venda da produção, conseguindo parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), que chamada pela Seagri, acorreu à região atuando na regulação do preço ofertado pelo arroz, o que atrapalhou a ação de compradores que, em outras oportunidades ditavam os valores a serem pagos aos produtores. 
Com isso, o equilíbrio de preço ofertado começou a se instalar entre os produtores, cujo reflexo este ano foi patente, pois de forma natural a oferta chegou a patamares interessantes, permitindo ao produtor cobrir os custos de produção e ainda contabilizar um ganho para a sobrevivência e a melhoria das condições de vida da família.
Para o produtor Carlos Alberto de Freitas, as mudanças no Baixo São Francisco são visíveis no semblante dos rizicultores, pois o mercado está propício, e isso decorre da ação forte do governo de Sergipe, através de um combinação de esforços e da interatividade do secretário José Macedo Sobral, da Seagri, que tem sido um parceiro presente, atuante, sempre ouvindo os produtores e tomando decisões rápidas para que tudo aconteça nos prazos que a agricultura precisa.
Tudo isso pode ser constatado pela preocupação com o mercado, exposta aos produtores quando disse que era preciso produzir, mas que não seria lógico uma grande produção sem comércio, pois o produtor recebe quando tem mercado, quando tem comércio, quando tem comprador que pague o preço justo, e não o que vinha sendo praticado durante muitos anos na região, cada vez mais tornando o agricultor um ser miserável, que apenas trabalhava, tinha custos, levantava financiamentos e no final, o que consegui apurar com a venda do arroz, não dava para o sustento da família, para pagar ao banco, para a adubação, enfim, para tudo que faz parte da cadeia produtividade, incluindo o beneficiamento do arroz.
Carlos Aberto afirmou que o governo de Sergipe tem sido o grande parceiro, e já acenou com a doação das sementes necessárias para o plantio deste ano, garantindo com estes insumos, o plantio no mês de junho, que pode ter uma área maior, uma vez que os agricultores estão estimulados pelos últimos resultados conseguidos.
O Chefe da Associação de Produtores do Distrito de Betume, Wendell Mota dos Reis, referendou as declarações dos produtores, citando que no máximo, em anos anteriores, os rizicultores conseguiam negociar o arroz em casca por 40 centavos o quilo. Após as intervenções mais diretas do governo de Sergipe, da parceria reguladora da Conab, dos recordes de produtividade no Betume, os valores praticados hoje correspondem a 58 centavos. “É um preço bom, por esta razão os agricultores continuam animados e desejosos de aumentarem a produção, o que confirma que tudo vem mudando em Ilha das Flores, o que traduz um estado de espírito diferenciado das agruras que todos passaram com preços aviltados na região, o que provocava desânimo no processo produtivo e, consequentemente, trazia reflexos para o comércio regional e o seu desenvolvimento. E o governo de Sergipe conta com o apoio dos rizicultores, pelas mudanças sérias ocorridas na região”, concluiu.

Doação da palha aos sertanejos

Como reflexo do que vem ocorrendo no povoado, os produtores, na sua maioria, estão abrindo mão do aproveitamento que faziam da palha do arroz, após a colheita, revertendo por doação a produtores do sertão sergipano, que passam por uma seca inclemente, de consequências destrutivas, para que seja utilizada na alimentação do gado, cujos benefícios são computados de forma alvissareira, em razão de ser a região sertaneja, responsável pela quase totalidade da produção de leite de Sergipe.
Carlos Alberto Freitas, produtor de arroz e uma das grandes lideranças entre os rizicultores, ressaltou essa atitude dos produtores, como uma reciprocidade em razão da excelente produtividade da cultura no povoado Betume, fato a ser comemorado e, em contrapartida, fazer desse resultado algo mais positivo em função de pequenos produtores do sertão, com a doação da palha do arroz, cujo significado pode parecer pequeno, mas que é visto e recebido pelos sertanejos como uma ajuda substancial, até porque sem trata de uma fonte alimentar de qualidade para o gado, auxiliando no enfrentamento de uma estiagem que vem se prolongando e tornando o sertão um centro de necessidades e carências.
“É dever do cidadão consciente, buscar favorecer com o que é possível, pessoas trabalhadoras, guerreiras, que estão vivendo momentos de extrema dificuldade para tocar suas lavouras e a criação de gado. Assim sendo, doar a palha do arroz que é um bom alimento para os animais, se constitui em um ato de justiça e cidadania, até porque, na condição de pequenos, como nós rizicultores do Povoado Betume, necessária se faz a solidariedade. É importante comemorar o segundo ano consecutivo como campeões brasileiros na produtividade do arroz, mas para que essa comemoração seja mais importante, ajudar companheiros em momento de dificuldade, representa simplesmente o exercício da cidadania, o que fazemos com muita satisfação”, destacou o produtor Carlos Alberto Freitas.
Muitos caminhões já saíram de Ilha das Flores, das plantações de arroz com destino ao sertão, levando um auxílio precioso, que é a palha do arroz, um gesto que integra a boa vontade e destaca um ato benemerente de ajuda, justo por propiciar elementos que constitui alimento para o gado, numa região que tem na produção de leite, o suporte maior.

Trabalho parceiro

Para o secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural (Seagri), José Macedo Sobral, o governo de Sergipe se soma à euforia comemorativa dos rizicultores, como parceiro do pequeno agricultor, e por ter atendido às demandas, como conhecedor das necessidades, buscando interagir com esse segmento produtivo do Baixo São Francisco, tendo a grata satisfação em, por dois anos consecutivos, Sergipe ser referência nacional, com os rizicultores do povoado Betume, em Ilha das Flores, como campeões de produtividade na cultura do arroz.
“É óbvio que se trata de um trabalho parceiro entre os governos, num relacionamento estreito entre o estado de Sergipe e a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco e da Parnaíba (Codevasf), que administra os perímetros destinados à rizicultura, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que tem respaldado os nossos chamamentos, atuando fortemente na regulação de preços da produção, inibindo a especulação de atravessadores, oportunizando um comércio com maiores ganhos para os agricultores, cujos reflexos são sentidos ainda nesta safra 2012/2013, além do trabalho da Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência e do Desenvolvimento Social (Seides), na aquisição das sementes indicadas pela Seagri, para doação aos pequenos agricultores. Cada instituição tem sua importância específica na construção de um meio rural participativo, mais justo”, concluiu o secretário.

Por Ascom/Seagri
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