Cruz de Bela: Uma tradição popular maruinense

Capela de Santa Cruz de Bela

No dia 15 de novembro, no final do século XIX para o início do século XX, em meados do ano de 1888, Felisbela Oliveira ou Felisbela Costa (seu nome oficial ainda é incerto), a menina Bela, de nove anos de idade, foi assassinada na Rua do Açougue (Hoje, Rua José Quintiliano da Fonseca).
Segundo relatos orais, Bela residia na Arapiraca, uma localidade pertencente a Maruim, e quando o turno da tarde estava indo embora, foi comprar querosene, a pedido de sua mãe, para acender os candeeiros que iluminavam sua casa. Ao passar em frente ao quartel de polícia, que funcionava na Rua do Açougue, um tiro disparado, acidentalmente, por um soldado que limpava seu fuzil a acertou e a mesma faleceu no local.
Após a morte da menina Bela, foi colocada uma cruz na parede no Trapiche Ganhamoroba. Mais tarde, foi erguida uma capela para atender às devoções dos fiéis, que acreditavam na santidade da menina e se deslocavam de outras localidades a fim de agradecer os “milagres”. Os romeiros levavam os ex-votos [do latim Votum (coisa prometida) ou Votivus (prometido por voto)], que eram as réplicas de pernas, braços, cabeças, casas e diversos objetos que representavam o pedido atendido. Com a movimentação em torno da capela, foi iniciada a feirinha da Cruz de Bela com muito suco artificial, doces, bolos, queijadas e brinquedos para a diversão das crianças.
Ex-votos 
A santidade de Bela não é reconhecida pela Igreja Católica Apostólica Romana.
A origem da menina Bela foi desvendada através de vários depoimentos colhidos pela professora Maria Lúcia Marques Cruz e Silva, entre eles o de Wilson Figueiredo e Luiz Garibalde, sobrinho e tio de Bela, respectivamente, na década de 1990. Descobriu-se que Bela tinha três irmãos: Maria dos Santos Lima (D. Maroca), Otávio Costa e Emília Costa. Sua mãe era Ana Guilhermina da Costa. Não existem fotos, nem o registro de nascimento de Bela em cartórios ou arquivos de Sergipe, segundo Cruz e Silva.
Em 2010, assim como em outros anos, as festividades em honra a Bela acontecerá nos dias 14 e 15 de novembro, próximo a capela de Santa Cruz de Bela, no bairro Boa Hora, com diversos shows artísticos, brincadeiras, atividades folclóricas e religiosas.

Texto: Keizer Santos
Imagens reproduzidas do livro “Maruim, coisas que ouvi dizer...”, do professor Gilvan dos Santos Rosa.

BIBLIOGRAFIA:

CRUZ E SILVA, Maria Lúcia Marques. Inventário Cultural de Maruim. Edição comemorativa aos 140 anos de Emancipação Política da cidade. Aracaju: Secretaria Especial de Cultura, 1994.

GÓES, Diego. Menina pode ser a primeira santa sergipana. Jornal da Cidade. Publicado em 22 nov. 2009. Acesso em 27 nov. 2009. Disponível em < http://jornaldacidade.net/2008/noticia.php?id=48496>.

ROSA, Gilvan dos Santos. Maruim, coisas que ouvi dizer... 2. ed. rev. Aracaju: Secretaria de Estado da Educação e do Desporto e Lazer, Sercore, 1999.
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