Durante a caminhada, os penitentes entoam cânticos religiosos e realizam orações ao som de matracas, carregando tochas que iluminam o trajeto pelas ruas históricas da cidade. O ritual também é dedicado às almas do purgatório, mantendo viva uma prática que atravessa gerações e se consolidou como parte da identidade cultural local.
O reconhecimento dessa tradição ganhou respaldo institucional com a Lei Ordinária nº 112/2022, de autoria da deputada Kitty Lima. A legislação concede ao grupo o título de Patrimônio Imaterial e Cultural de Sergipe, além de incluir a manifestação no calendário oficial de festividades do estado.
Na justificativa do projeto, a parlamentar destacou o caráter contínuo da tradição. Segundo ela, trata-se de uma prática centenária realizada de forma ininterrupta, que se transformou em um costume profundamente enraizado na cultura maruinense.
O reconhecimento dialoga com o conceito de patrimônio cultural previsto no artigo 216 da Constituição Federal de 1988, que define como patrimônio brasileiro os bens de natureza material e imaterial ligados à identidade e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade. A definição também está alinhada às diretrizes da UNESCO, que considera patrimônio imaterial as práticas, expressões e conhecimentos reconhecidos pelas comunidades como parte de sua herança cultural.
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Por Redação
Fotos: Jhon Teles/Prefeitura de Maruim
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