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46 anos sem o visionário Josias Vieira Dantas



*Por Keizer Santos

Josias Vieira Dantas
Há exatos 46 anos, o município sergipano de Maruim perdia o seu ilustre filho, Josias Vieira Dantas. Em 26 de março de 1971, Josias Dantas faleceu em Aracaju e foi sepultado no Cemitério Cruzeiro do Novo Século, situado em sua cidade natal.
Nascido na Rua Barão do Rio Branco, nº 15, no centro do município de Maruim, em 20 de janeiro de 1890, o filho do coronel Francisco Correia Dantas Filho, o Dantinhas, e da sra. Antônia Rosa Vieira de Mello, foi um grande progressista e esteve associado a diversos empreendimentos no pequeno município sergipano. Dantas, segundo filho mais velho do casal, tinha como irmãos: Alcebíades Vieira Dantas (ex-prefeito de Maruim), Agenor Vieira Dantas, Adalberto Vieira Dantas, Celso Vieira Dantas e Cacilda Vieira Dantas.
Em 5 de fevereiro de 1914, Josias Vieira Dantas casou-se com com Dorvalina de Mello Dantas, filha do desembargador Dr. José Sotero Vieira de Mello e de Arminda Barreto de Menezes Mello. A cerimônia aconteceu no Engenho Catete Novo, no município de Rosário do Catete, com direito a registro nos principais jornais da região, apresentação da cavalaria e da banda Lyra Paladina.
Da união entre Josias e Dorvalina, nasceram 14 filhos, sendo que destes, seis morreram precocemente: Lidorval, Euler, Jaime, Renato, Luiz e Valdice. Outros filhos morreram anos depois: Padre Lidorval de Mello Dantas, cujo nome era uma homenagem ao primeiro filho do casal (faleceu em 1974); Professora Antônia Vieira Dantas (faleceu em 1998); Professora Josilda de Mello Dantas, fundadora da Escola São José, em Maruim (faleceu em 1998); Ex-vereador de Maruim, Otávio de Mello Dantas (faleceu em 1990); Coronel do Exército Sylvio de Mello Dantas (faleceu em 2016) e professora Yvonne de Mello Dantas (faleceu em 1999).
Apenas dois filhos do casal, Josias e Dorvalina, permanecem vivos: o engenheiro civil Nélson de Mello Dantas, 94 anos, que vive em Sete Lagoas/MG; e o ex-vereador e ex-prefeito de Maruim, Pedro de Mello Dantas, 89 anos, que reside em Aracaju/SE.
Dorvalina de Mello Dantas, sua esposa, faleceu no dia 12 de agosto de 1971.
Josias Vieira Dantas e família

O visionário

Josias Vieira Dantas era um visionário, gostava de atrair diversos profissionais e empresas para o município de Maruim. O próprio Josias era um exemplo ao apontar seus investimentos para o município como a criação do Banco de Crédito Popular de Maroim [antiga grafia do município]; a Sergipe Fabril (antiga Fábrica Maísa); Casa comercial de ferragens Alcebíades Dantas & Irmão; Curtume São José; Sapataria; Farmácia Globo; Cine-teatro Tobias Barreto; Trapiche Novo; diversos sítios; uma olaria, na Fazenda Nova; um moinho; criou um viveiro, além da criação de gado e plantações de árvores frutíferas. Por seu desempenho, Josias Dantas representou a Federação das Indústrias de Sergipe (Fies) em diversos eventos pelo Brasil.
Sergipe Fabril
A atuação de Josias Vieira Dantas não se resumia ao comércio e a indústria, por ser um grande estudioso, ocupou diversos cargos no majestoso Gabinete de Leitura de Maruim. Foi Bibliotecário em 1917-1918, na gestão do Presidente do Gabinete, o Sr. Deocleciano Rocha e 1921-1922, na gestão de Durval Maynart; Em 1918-1919, na gestão de Olívio Barretto; 1920-1921, na gestão de José Quintiliano da Fonseca e 1921-1923, na gestão de Manoel M. Polito, exerceu o cargo de Vogal. Ocupou a Presidência do Gabinete de Leitura em 1923-1924, 1924-1925, 1925-1926, 1926-1927 e 1927-1928, contando com apoio de diversos intelectuais, entre eles o Dr. Joel Macieira Aguiar. Quando ocupou a presidência do “majestoso”, em 1926, Josias Vieira Dantas adquiriu o prédio que hoje funciona o Gabinete de Leitura.
Dantas recebeu o título de “Zelador da Obra das Vocações Sacerdotais”, por Dom Fernando Gomes, pelo apoio dedicado à Diocese e pela tentativa, sem êxito, de criar em 1951, o Seminário Menor em Maruim. Durante sua vida, preocupou-se em auxiliar à igreja, por exemplo, quando providenciou o reparo de um dos sinos da igreja matriz. O sino rachado foi transportado para ser consertado na oficina de manutenção da Viação Férrea Federal do Leste Brasileiro, situada em Aramari, no Estado da Bahia.
Josias Vieira Dantas ainda instituiu, na década de 20, o Colégio Diocesano; a Irmandade Carmelita, em 1942, e a Congregação Religiosa Feminina das Irmãs de Santa Terezinha, em 1958.
Em 05 de maio de 1954, apoiado por seu primo Clodoaldo Passos e pelo fundador da Campanha Nacional de Educandários Gratuitos (CNEG), em Sergipe, o Dr. Felipe Tiago Gomes, continuou a valorização da educação ao inaugurar o Ginásio Maruinense no Instituto Cruz, prédio que hoje funciona a Secretaria Municipal de Maruim, na Praça João Rodrigues.
Com a segunda grande guerra mundial, os preços dos produtos importados utilizados na indústria têxtil como derivados do petróleo e material químico para tinturaria começaram a subir por conta das importações, como consequência, o produto final passou por uma elevação de preço. Com a dificuldade em manter a empresa, a Sergipe Fabril foi concedida, em 1969, ao Grupo Constâncio Vieira.  
Em fevereiro de 1969, transferiu-se para Aracaju para realizar tratamento de saúde, pois seu estado era debilitado.

Homenagens

Em 1958, Josias Vieira Dantas recebeu a medalha comemorativa da Conferência Internacional de Investimentos em Belo Horizonte e Araxá, em Minas Gerais e Brasília, no Distrito Federal, pelo Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Em 1968, a Associação Comercial de Sergipe, através do então Presidente Ayrton Valença de Vasconcelos, concedeu a Josias Dantas, o título de sócio remido da instituição por sua honradez, exemplo de homem de bem, trabalhador honesto e que muito fez pela nossa terra, sendo exemplo para as novas gerações. Na ocasião, sr. Josias havia solicitado a sua exclusão do quadro social da entidade, tendo em vista que não conseguiria quitar as obrigações financeiras.
Josias Vieira Dantas recebeu diversas homenagens, entre elas estão à denominação do Gabinete de Leitura para Biblioteca Municipal Josias Vieira Dantas, que a partir de 1992, passou a ser administrado pela Prefeitura Municipal de Maruim; a Escola Municipal de Ensino Fundamental Josias Vieira Dantas, na Rua Pedro Freire, bairro Lachez, em Maruim; Em Aracaju, a Rua RT-5, na Coroa do Meio, que passou a denominar-se Rua Josias Vieira Dantas pela Lei Municipal Nº 1.524 e sancionada pelo então prefeito da capital sergipana, Wellington da Mota Paixão.

*Jornalista e especialista em Marketing, Comunicação integrada e Assessoria

Imagens: Reprodução do livro Josias Vieira Dantas, meu pai (ver referência)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AGUIAR, Joel. Traços da História de Maroim. 2. ed. Edição comemorativa dos 150 anos de Maruim. Aracaju: Secretaria de Estado da Cultura de Sergipe, 2004.

CRUZ E SILVA, Maria Lúcia Marques. Inventário Cultural de Maruim. Edição comemorativa aos 140 anos de Emancipação Política da cidade. Aracaju: Secretaria Especial de Cultura, 1994.
ROSA, Gilvan dos Santos. Maruim, coisas que ouvi dizer... 2. ed. rev. Aracaju: Secretaria de Estado da Educação e do Desporto e Lazer, Sercore, 1999.

DANTAS, Sylvio de Mello. Josias Vieira Dantas, meu pai: In memorian. Salvador: SMD, 2002.

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